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Jornal do Camafunga
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12th-Mar-2006 11:13 am(no subject)

Agora me sinto mais tranquilo, ontem descobri que a MOrsa Clone finalmente conseguiu aprender a controlar seus recentes superpoderes. a semana passada arrumando armários encontrei alguns rascunhos de desenhos e também o enredo de uma tira sobre super-heróis, bem criativos e personalizados, mostram o desabrochar do artista que sonha ainda poder comprar uma máquina digital para sair filmando.

O personagem ao lado é o "Superbarbeiro", mas podia ser Dr. Dermatite alusão ao encontrado fixado no couro cabeludo, que foi fácilmente eliminado com água e sabão neutro.

Enquanto isso foi confirmado a saida e o roteiro do dia 15 para o Show do Santada. Teremos a companhia do "cerebre", a celebridade do mundo da neurologia, Vicente P. e seu sobrinho ex-metaleiro. A viajem promete. Presença não confirmada é do Coça-coça e sua esposa Leucorréia, parece que não sobrou vaga.

9th-Mar-2006 04:35 pm(no subject)

Excelente cobertura do carnaval de Pelotas, não podia ser mais adequada pelo nível do que foi. Triste é morar tão perto conseguir ouvir tudo como se fosse dentro de casa. Ao lado a moça da limpeza urbano em seus quinze minutos de fama. "Nóis trabalha e proveita ao mesmo tempo..." nem "percisava ganhar para isso", juro que ouvi!

Tem novo prefeito na cidade, mas parece que o discurso é o mesmo de mais de trinta anos, não vou nem reproduzir, esta tudo no histórico do Diario Popular que por sinal é da família do mesmo.

Com relação a isso que respeitem a imagem do renunciante que sai realmente enfermo abatido por patologia degenerativa cerebral progressiva, os inimigos não perdoam, e acusam o mesmo de ter babado durante as eleiçoes passadas, visão torta de quem não reconhece competência mesmo em 50%, 48%, 44%...

Este post é o segundo feito pelo Writely, só fiz esta nota para não esquecer o nome porque estar on-line é fácil acertar a grafia é que é chato.

9th-Mar-2006 12:47 pm(no subject)

Achei esta novidade na Info deste mês, e como gosto de "furungar" estas coisas, estou escrevendo meu primeiro post usando a ferramenta, o Writely . Interessante, tem a maioria das funções básicas do Word e é on-line, e pelo menos por enquanto, é de graça.

Ontem foi um dia estressante acho que é uma onda de peixes estragado, com isso recebi uma sobrecarga morsal de trabalho, também os ânimos estavam alterados por ai, e não era privilégio de um único local. A banheira pública que nos conduz a zona de preservação ecológica parecia mais gasta do que de costume, até faltou petróleo no inicio da semana, o condutor substituto, mais com cara de Capitão Glúteo do que Nemo, fez questão de não prever, e até parece ter gostado, que tivéssemos ficado a pedir carona no meio da estrada sobre o escaldante asfalto que queimava. As meninas, aves de todos os tipos, de canárias até galinhas, não paravam de fazer ruido, mas em nada ajudaram para que conseguisse chegar no horário na mesquita nosocomial. Quem esperava era o Rei do Gado, assim denominado o colega que cria bovinos até além da fronteira, o mesmo que mandou instalar geradores capazes de iluminar vilas inteiras, mas que não pareceu estar chateado mergulhado no notebook de um milhão de dolares.

Apesar de morsa não ter franja acabo de cortar o cabelo, precisar não precisava, como tudo que escrevo aqui, mas me sinto melhor arejado, acho que os pensamentos esfriam mais rápido, e não preciso de pente.

28th-Oct-2005 07:39 am - O NAUSEABUNDO MINISTRO CARLOS VELLOSO
Será difícil aos poderes executivo, legislativo e eleitoral superarem, juntos, confusão e maldade tamanhas como essas a que fomos submetidos nesse domingo, 23 de outubro de 2005. Dos três, porém, o nauseabundo Carlos Velloso, Ministro do Supremo Tribunal Federal, presidente em exercício do Tribunal Superior Eleitoral, cometeu, na noite de sábado, um gesto de perversidade singular.

Homem envernizado pelo tempo e pelas benesses da sua tripla imunidade cível, enquanto juiz, ministro e presidente do TSE, tão intocável quanto um Presidente da República, da Câmara ou do Senado Federal, daí a serenidade e falsa ponderação que lhe confere a estatura, convenceu-me de vez de que há em Brasília uma mina humana de fel, apesar dessa pobre gente tão rica e doce que povoa o Brasil. Por isso sofro, mesmo vivendo em uma ilha indevassável dentro de mim mesmo.

Postou-se o tal homem diante de uma câmera de TV e gravou um pronunciamento para a Nação. Certamente ungido pelo envaidecimento de quem está fazendo história e sabe disso, com o pavilhão nacional às costas e a imagem da urna eletrônica feito um cetro imperial à direita, disse a cada brasileiro: “amanhã vamos celebrar a festa da cidadania. Vote, exerça o seu direito e dever de cidadão livre, escolha com a sua própria consciência. Mas lembre-se, votar é obrigatório”.

Minutos mais tarde os jornais televisivos noticiavam que mais de 35 mil famílias continuavam ilhadas pela seca no Amazonas; que o governador reivindicou anistia facultativa às populações ribeirinhas, condenadas a consumirem dez horas para chegarem à urna mais próxima para votar esse imbróglio, referendo travestido de plebiscito desastrado. Pois o nauseabundo senhor presidente do TSE dissera um não autoritário e peremptório. Não, miseráveis ribeirinhos, votem, mesmo que não tenham a menor noção do que está em jogo. O Brasil não é governado e legislado para vocês. Vocês são apenas números momentâneos, em rota de desaparecimento. Meses antes, esse ministro foi entrevistado em rede nacional, sobre a renovação da frota de automóveis oficiais do Supremo Tribunal Federal. Eclodiam os escândalos do “mensalão” e dos Correios e ele disse, com a mesma serenidade e distância do povo, que era necessário, estava na hora de trocar a frota...

Tivesse o nauseabundo homem, em seu discurso patético do sábado, apenas lido o regimento da própria casa que preside, todo o circo do momento eleitoral teria desabado. Diz o tal regimento, no seu capítulo 25: “O plebiscito é convocado com anterioridade a ato legislativo ou administrativo, cabendo ao povo, pelo voto, aprovar ou denegar o que lhe tenha sido submetido à apreciação (Lei n.º 9.709/98, art. 2º, § 1º).”. Com um simplório SIM, ou apenas um NÃO. Já o referendo, no mesmo regimento, é: “... convocado com posterioridade a ato legislativo ou administrativo, cumprindo ao povo a respectiva ratificação ou rejeição (Lei n.º 9.709/98, art. 2º, § 2º).”

Não fomos convocados para aprovar ou denegar, ratificar ou rejeitar nem à anterioridade tampouco à posterioridade de um ato legislativo. Houve um ato legislativo a nossa revelia, houve também uma convocação para devolvermos bens nossos (armas), com a estratégia demagógica da indenização arbitrária de no mínimo R$100,00 por arma; mas esse ato legislativo nunca foi regulamentado, portanto o referendo, tão quanto o plebiscito, segundo o regimento da casa que preside o nauseabundo ministro Carlos Velloso, são ilegítimos; fomos convocados, sem a liberdade da abstinência, para aprovar ou denegar, rejeitar ou ratificar um ato legislativo inconcluso, não regulamentado, que será, independentemente da vitória do SIM ou do NÃO, reescrito completamente, talvez, e rediscutido nas esferas altas dos poderes sem a consciência de cada cidadão. E o sim relativo de hoje pode virar não aparente amanhã e vice-versa. Cidadania?

Pondere o leitor, mais esclarecido do que este articulista inconformado, mas o que importa agora, neste pequeno espaço que me é conferido, são aquelas populações ribeirinhas, que não entendem nada de Terceira Via, tendência internacional de transferência das responsabilidades do estado para a iniciativa privada. Raiz dessa confusa e atabalhoada leviandade dos poderes executivo, legislativo e eleitoral. Elas entendem de fome, de sede, de analfabetismo funcional, de carência de toda sorte e de sobrevivência à selva humana que lhes espreita à longa distância. Nos arredores do Lago Paranoá ao sul do Distrito Federal.

Exemplo típico do processo de eutrofização cultural. Criado em 1959 como uma moldura do Plano Piloto de Brasília tinha finalidades de recreação e paisagismo. Hoje é um diluidor de esgotos, nem sempre canalizados para as Estações de Tratamento de Esgotos existentes na Bacia do Paranoá, especialmente de muitas mansões ribeirinhas. Lugar em que Dom Bosco profetizava jorraria mel.


Luis Paesê


5th-Oct-2005 07:02 am - DIREITO DE ESCOLHA
Dentro de poucos dias os brasileiros serão obrigados a votar no referendo referente à permissão ou não da comercialização de armas de fogo e munições. Apesar de já estar provado que as urnas eletrônicas não são à prova de fraudes, ajustes e correções do sistema de apuração, supondo-se que seja uma votação absolutamente livre de qualquer manipulação, o resultado apurado não representará a real opinião do povo.

A pergunta planejada para ser respondida pela população não foi elaborada da maneira correta e, com certeza, irá confundir o eleitor. Observe: O assunto refere-se especificamente a armas de fogo. As possibilidades de respostas são sim ou não. Se você não quer ou não gosta de armas de fogo, então você responde “não”, certo? Errado. A pergunta é se você é contra a proibição da comercialização de armas de fogo e munição no país. Se a resposta for “não”, quer dizer sim, ou seja, que o eleitor não concorda com a proibição e, portanto, aceita a comercialização de armas.

Falha semântica ou indução ao erro, tanto faz. Não será com o desarmamento dos cidadãos de bem que haverá qualquer redução da criminalidade, pois não são esses os que cometem crimes. Quem deseja comprar uma arma legalmente, preenche alguns formulários, apresenta documentos, atestado de antecedentes criminais e declara uma justificativa para comprar a arma. Tudo é lentamente analisado pela polícia e, na maioria das vezes, é indeferido. Não é muito provável que os bandidos e as quadrilhas sigam estes procedimentos. A razão é óbvia: os criminosos não compram armas nas lojas ou em shopping centers.

No Rio de Janeiro, os assaltos cometidos com revólveres, são imediatamente classificados pela polícia como executados por ladrões “pés de chinelo”. Isso se justifica pelo fato da polícia saber que as grandes quadrilhas utilizam pistolas automáticas calibre nove milímetros, rifles, fuzis, granadas, metralhadoras e lança foguetes. Como essas armas não são vendidas legalmente, a proibição ou não de comercializar armas leves é completamente inócua, pois não afeta os fornecedores. Em São Paulo, quase não se ouve mais falar dos antigos revólveres “trinta e oito”. Além disso, quase ninguém mais registra ocorrências policiais de crimes sem vítimas, por total descrédito das forças policiais.

Alegar que a proibição da venda de armas é para combater o nível de criminalidade, é o mesmo que, para evitar que crianças se machuquem em parques de diversões, elas sejam proibidas de freqüentá-lo.

Todos sabem que a imensa maioria das armas utilizadas pelas quadrilhas ou criminosos individuais vêm do contrabando. Quem desce a Serra do Mar, pouco antes de chegar a Santos, trafega alguns quilômetros margeando um verdadeiro oceano de containeres lacrados, recém chegados do exterior, aguardando na fila para serem fiscalizados. O que os protege, é uma velha e enferrujada cerca de arame farpado, como aquelas usadas para gado. Entrar neste local, abrir um container retirar qualquer mercadoria e substituí-la por pedras, é um ato que pode ser feito à luz do dia, sem nenhum receio de interrupção.

Na cidade de Corumbá, o Brasil é separado da Bolívia pelo rio Paraguai. Em vários trechos, de uma margem do rio não se enxerga a outra, tal a sua largura. Dezenas e dezenas de barcos, botes e principalmente lanchas rápidas cruzam o rio em vários pontos. A polícia federal possui um – repetindo, um –barquinho a motor para patrulhar toda a área. Em Foz do Iguaçu, qualquer um pode encomendar no Paraguai a mercadoria que quiser por telefone, inclusive armas, e receber sua encomenda no hotel, praticamente sem nenhum risco. Portanto, a fonte de armas não são as lojas e não é proibindo o povo honesto de defender-se que haverá redução da criminalidade.

A alegação de que possuir uma arma em casa é um risco, pois um eventual ladrão pode roubá-la, chega a ser patética. A não ser que você seja proprietário de um arsenal, ninguém vai invadir sua casa para roubar armas. No estado americano do Texas, a venda de qualquer tipo ou calibre de armas é livre, rápida e sem burocracia. Apesar disso, o Texas está apenas em vigésimo segundo lugar dentre os estados americanos em índices de crimes praticados com armas de fogo. Em toda a Alemanha, onde é proibida a venda de armas de fogo para cidadãos comuns, os níveis de criminalidade crescem ano a ano, principalmente em função do contrabando de armas do Leste Europeu.

Além da falha na elaboração da pergunta para o plebiscito, com a proibição da venda de armas todos os órgãos de combate ao crime perderão uma inestimável fonte de informações sobre o proprietário das armas apreendidas, dificultando ainda mais a elucidação de crimes. Quem julgar que necessita de uma arma para se defender, não deixará de possuí-la em função do resultado do plebiscito. Simplesmente comprará sua arma no mercado clandestino. Por estas duas razões, a perda de informações sobre os adquirentes e o incentivo à clandestinidade, a proibição da venda de armas aumentará a criminalidade.

Não se pretende aqui fazer qualquer apologia ao uso de armas pela população. A venda para cidadãos sem treinamento específico para seu uso realmente é um risco. Contudo, ninguém será obrigado a comprá-las. Mas deve ser mantido o direito de escolha.

Quem pretende ter uma arma, deve saber utilizá-la, conservá-la, treinar periodicamente e mantê-la em local seguro. Mas não é admissível que possa vir a ser penalizado quem pretende defender-se. Já que os órgãos pagos com nossos impostos não realizam sua tarefa, a autodefesa é um direito óbvio do cidadão.

Marcelo Prado
20th-Sep-2005 11:03 am - DESARMAMENTO: A ALEGRIA DO CRIME!
Há doze meses o governo da Austrália editou uma lei obrigando o proprietários de armas a entregá-las para destruição. 640.381 armas foram entregues e destruídas, num programa que custou aos contribuintes mais de US$ 500 milhões. Os resultados, no primeiro ano, foram os seguintes:
Os homicídios subiram 3.2%, as agressões 8.6%, os assaltos a mão armada 44%. Somente no estado de Victoria, os homicídios subiram 300%. Houve ainda um dramático aumento no número de invasões de residências e agressões a idosos. Os políticos australianos estão perdidos, sem saber como explicar aos eleitores a deterioração da segurança pública, após os esforços e gastos monumentais destinados a "livrar das armas a sociedade australiana".
Naturalmente, a população ordeira entregou suas armas, enquanto os criminosos ignoraram essa lei, como já ignoravam as demais.
O mesmo está acontecendo no Reino Unido. País tradicionalmente tranquilo, onde até a polícia andava desarmada, adotou o desarmamento da população ordeira. Pesquisa realizada pelo Instituto Inter-regional de Estudos de Crime e Justiça das Nações Unidas revela que Londres hoje é considerada a capital do crime na Europa. Os índices de crimes a mão armada na Inglaterra e no País de Gales cresceram 35% logo no primeiro ano após o desarmamento. Segundo o governo, houve 9.974 crimes envolvendo armas entre abril de 2001 e abril de 2002. No ano anterior, haviam sido 7.362 casos.
Os assassinatos com armas de fogo registraram aumento de 32%. A polícia já está armada.

Nos Estados Unidos , onde a decisão de permitir o porte de armas é adotada independentemente por cada estado, todos os estados com leis liberais quanto ao porte de armas pela população ordeira têm índices de crimes violentos em muito inferiores à média nacional, enquanto os estados com maiores restrições ostentam índices de crimes violentos expressivamente superiores à média nacional. Washington, onde a proibição é total, é a cidade mais violenta dos EUA.

Você não ver as informações acima disseminadas na imprensa local. Com honrosas exceções, a imprensa está fechada com as ONGs internacionais que pregam o desarmamento, por mais perigoso e ineficaz, Deus sabe com que propósitos.
Armas em poder da população ordeira e responsável salvam vidas e defendem propriedade. Leis de desarmamento afetam somente a população ordeira .

Em 2003, com a aprovaão do absurdo Estatuto do Desarmamento, o Brasil iniciou o processo de desarmar a população ordeira. Salvo engano, isso quer dizer Você. E se você não lutar contra isso, você ou sua família poderão ser as próximas vítimas indefesas.
Com armas, somos cidadãos. Sem armas, somos súditos. Quem desarma a vítima fortalece o agressor. Na hora do perigo, ser que a polícia vai estar lá? Chamar a polícia pode levar alguns segundos, esperar por ela pode levar o resto da sua vida. Uma arma na mão é melhor que um policial ao telefone.
O Brasil tem a mania de andar na contra-mão da história. E aqueles que tomam, por nós, as decisões, estão confortavelmente protegidos pelo aparato de segurança do Estado, circulando em carros blindados, tudo pago pelo nosso dinheiro. A única coisa que temem o uso consciencioso do voto. Do nosso voto.
Quem não luta pelos seus direitos, não tem direitos. Repassar essa mensagem pode ser a sua forma de lutar. Escolher bem na hora de votar, exigir o compromisso de cada candidato com a sua segurança, também.
Não atire para matar, mas atire para ficar vivo. Criminosos adoram o desarmamento das vítimas. Faz a atividade deles muito mais segura.
O bandido saberá, sempre, que pode entrar em qualquer casa, abordar qualquer transeunte e atacar quem ele desejar, pois aquela família ou pessoa não estar armada. O referendo vem aí. Não vamos nos submeter à lavagem cerebral que a Globo pretende fazer.

Fonte:
DAN BARRY
DO "NEW YORK TIMES", EM NOVA ORLEANS

Na região comercial central de Nova Orleans, em um trecho seco da Union Street, passando o caixa automático do banco Omni, do outro lado de um estacionamento que oferece preços mais baratos para quem chega cedo, um cadáver está deitado na rua. Seus pés aparecem por baixo de uma lona azul úmida. Os joelhos estão erguidos no "rigor Mortis".
Seis homens da Guarda Nacional se aproximaram do corpo na tarde da última terça-feira, e dois deles fizeram o sinal da cruz. Um soldado tirou uma foto, como se fosse um visitante à cidade, participante de alguma convenção, e então todos se afastaram. Isso é Nova Orleans, setembro de 2005.
Horas se passaram, a noite caiu, o toque de recolher entrou em vigor, e o cadáver continuou ali. Um policial estadual da Louisiana ali perto sabia tudo sobre ele: vítima de homicídio, a pessoa foi morta a cacetadas.
É um corpo entre vários outros nessa área. A polícia o marcou com cones de trânsito há quatro dias, contou o policial e acrescentou, brincando, que, se você quiser matar alguém, agora é um bom momento para fazê-lo.
A noite passou, chegou a manhã de hoje, o meio-dia, e mais um sol forte bateu sobre um filho morto desta cidade que era conhecida como Crescent City.
O fato de haver um cadáver estendido na Union Street pode não chocar ninguém nestes dias posteriores ao furacão; certamente há centenas deles espalhados por aí, possivelmente milhares. O que chama a atenção é que, numa rua do centro de uma grande cidade americana, um corpo possa passar dias se decompondo, como carniça, e que isso seja visto como aceitável.
Bem-vindos a Nova Orleans no pós-apocalipse, metade submersa e metade assando sob o sol quente: inquietante, pestilenta, envolta num silêncio que não é natural. Moradores maltrapilhos e descabelados emergem de casas de madeira inundadas para dizer coisas estranhas, depois retornam para seus locais pútridos. Carros percorrem a rodovia interestadual na contramão, e ninguém se importa. Fogueiras ardem por toda parte, cães vasculham pilhas de lixo, e as placas dos bons tempos da cidade deram lugar a ameaças rabiscadas à mão avisando que saqueadores serão baleados e mortos.
O incompreensível se tornou rotina aqui, a tal ponto que você acaba aceitando-o como normal. No domingo, por exemplo, vários soldados na Jefferson Highway estavam com as armas engatilhadas, apontadas para as cabeças de alguns homens prostrados no chão, suspeitos de terem arrombado uma loja de produtos eletrônicos. Um carro parou ao lado da cena tensa, e o motorista pôs a cabeça para fora da janela para perguntar a um soldado: "Ei, como faço para chegar à rodovia interestadual?".
Talvez o espírito de aquiescência com o horror que estamos vendo surgir aqui -não em Bagdá, não em Ruanda, mas aqui mesmo- tenha suas origens na cobertura intensiva que a mídia vem dando ao "dia seguinte" do furacão, de modo que cadáveres boiando nas águas e cidades varridas do mapa já são notícia velha. Talvez as preocupações dos vivos sejam mais importantes do que a dignidade de um cadáver estendido na Union Street. Ou, quem sabe, o país possa estar entorpecido em função do choque pós-traumático.
Quem percorreu Nova Orleans nesta semana, longe das entrevistas coletivas à imprensa, pôde ter vislumbres tristes do passado, presente e futuro da cidade, encontrando um raro toque reconfortante num lençol branco estendido na esquina da Poydras Street e St. Charles Avenue, não como símbolo de rendição, mas de promessa. "Vamos sobreviver", está escrito no lençol, como se expressasse um desejo que vai além dos batalhões de máquinas de terraplanagem que um dia chegarão para derrubar os bairros apodrecidos e reorganizar o barro de Louisiana para deitar a infra-estrutura de uma Nova Orleans inteiramente diferente.
Na Nova Orleans de hoje, porém, um dos muitos odores nauseabundos que percorrem a cidade, o de carne rançosa, é mais preciso do que um mapa da cidade que indique a localização de um mercado. Imagens irônicas pedem para ser notadas, como a banca de jornais da esquina que ostenta a manchete do "Times-Picayune" de 28 de agosto: "Furacão Katrina faz mira".
O horário do rush no centro da cidade hoje traz picapes repletas de homens armados usando óculos de sol, veículos utilitários carregados de jornalistas de fora da cidade, sedentos de ação, e um ou outro tanque militar.
A ausência do doce som do jazz, de alguém dizendo "ma chère", de homens ostentando crachás de convenções e lançando risos forçados -nossa ausência-, agride os sentidos mais do que qualquer cheiro.
Enquanto isso, no centro da cidade, a sombra de mais uma noite se espalha como água derramada sobre o cadáver de um desconhecido.



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Tradução de Clara Allain
Por Reinaldo Azevedo

A Associação Médica Brasileira tem de processar Luiz Inácio Lula da Silva. Seu discurso sobre os remédios, em Tocantins, é, para dizer o mínimo, irresponsável. Para quem não leu a respeito no site, é o seguinte: o presidente afirmou que as pessoas precisam fazer mais exercícios físicos (até aí, quase ok), tomar menos remédios (como assim?), o que lhes permitiria economizar um dinheirinho para comprar cerveja, vinho e até pizza.

Lula, infelizmente, ainda tem ascendência sobre um grande número de pessoas, sobretudo as menos informadas e carentes. Não porque suas políticas públicas lhes sejam especialmente benéficas, mas porque não tem pejo em reduzir questões complexas a uma compreensão possível miserável. Um político decidir transformar a ignorância alheia num ativo remete a uma questão que é de fundo moral. Lula vai revelando não aquilo em que está se transformando, mas aquilo que sempre foi. Quem sempre viu sua trajetória pelas lentes da economia política nunca teve dificuldade de enxergá-lo como é. A mistificação petista, com a ajuda de certa mídia, fez dele o cristo pagão da classe operária. Agora, ecce homo!

Uma pessoa que sofra de hipertensão grave e esteja tomando reguladores de pressão sangüínea não apenas deve se preservar de exercícios físicos a depender das variações a que está sujeita — e de quão grave é o quadro de instabilidade — como, sob nenhuma hipótese, pode deixar de tomar os remédios. Sob o risco de morrer fulminada por um ataque cardíaco ou ser vitimada por um AVC — acidente vascular-cerebral, com possibilidade de graves seqüelas. Perguntem a qualquer médico. Se, exercitando-se sem poder, deixando de tomar os remédios nas doses prescritas, juntar ainda os efeitos colaterais do álcool e eventualmente da pizza, quase sempre com doses de sódio superiores ao recomendável para um hipertenso, o conjunto corresponde a uma tentativa de suicídio. Aliás, eu me arriscaria a dizer que é mesmo um quase-suicídio. Induzido pelo presidente da República.

Lula está estimulando os doentes “deste país” a seguir as recomendações do médico amador, como se pudesse ser tão abelhudo em medicina como é na Presidência da República, que exerce de forma não menos amadora. Num país como os EUA, a Grã-Bretanha ou a França, seria obrigado a pedir desculpas à nação. Mais do que isso: uma campanha pública teria de ser levada ao ar, paga pelo Poder Executivo. Mas o presidente amador, o médico amador e o humorista amador é, e isso já revelou em outro discurso, um pensador amador.

Publicado em 10 de agosto de 2005
Esta estava no Diario Popular, é só para mostrar aos amigos com as coisas andam por aqui.

Cíntia Piegas

Uma briga generalizada ocorrida no início da madrugada de sábado provocou medo e tensão na avenida Bento Gonçalves e terminou com a morte de uma pessoa. Outras duas ficaram feridas. Conforme a polícia o enfrentamento envolveu grupos de moradores do Dunas e do Navegantes.
Segundo registro na Delegacia de Polícia de Pronto Atendimento (DPPA) populares contaram que a confusão começou por volta da 1h em frente ao Altar da Pátria. Em meio a muita gritaria e correria um rapaz foi ferido a facadas. Outros dois que estavam com a vítima (um de camiseta amarela e outro de camisa branca) estavam sujos de sangue e armados com garrafas quebradas, ameaçando quem estava próximo.
Quem presenciou o tumulto não soube identificar sua origem. A vítima fatal, Paulo Francisco Fernandes de Oliveira, de 34 anos, foi encaminhada ao Pronto-Socorro Municipal (PSM) ainda com vida, mas não resistiu aos ferimentos. O homem de camiseta amarela, foi identificado como sendo Rodrigo Leal Souza, de 20 anos, que também foi esfaqueado. Ele está internado no PSM. O outro homem visto ensangüentado foi identificado pelo nome de Giovan Lúcio Mendes, mas não foi localizado pela polícia.
O caso será investigado pela 2ª Delegacia de Polícia.
Fernanda Karina Somaggio, 32, ex-secretária do empresário Marcos Valério Fernandes de Souza, foi sondada pela revista "Playboy" para posar nua. A ex-secretária, que ganhou notoriedade ao denunciar o esquema de corrupção envolvendo o PT, pediu R$ 2 milhões para aceitar a proposta da revista. A Folha não conseguiu localizar ontem à noite a assessoria da editora Abril para confirmar a proposta. Segundo o advogado de Karina, Rui Caldas Pimenta, representantes da revista já fizeram três contatos com ela, e eles voltarão a negociar nesta semana. "Inicialmente, eu disse que estava fora de propósito. Mas depois ela mesma abriu o diálogo." O dinheiro seria usado para financiar a campanha da ex-secretária à Câmara de Deputados, de acordo com Pimenta. "Estivemos várias vezes em Brasília e vi que despertou nela um interesse maior pela política. Ela me consultou e eu disse: "Sem dinheiro ninguém se elege, você vai precisar no mínimo de uns R$ 2 milhões". Foi quando ela repensou a proposta da Playboy." Para ele, Karina virou uma "catalisadora de votos": "Nos aeroportos e em tudo quanto é lugar que ela vai as pessoas pedem autógrafo, dizem que estão com ela. Ela morou dois anos na Inglaterra, é filha de professor universitário, tem uma visão política mais acentuada", disse. Um representante do PSDB já teria consultado a ex-secretária, de acordo com o advogado. "Ela não tem preferência por partido, escolherá o que oferecer melhores condições e uma proposta mais ligada à área social. Ela tinha uma identificação com o PT, pelo histórico de honestidade, mas se sentiu enganada." Pimenta já sugeriu até um slogan para a campanha da cliente. "Eu até brinquei com ela e disse que o slogan tinha de ser "antes nua que corrupta". O dinheiro tem de sair de algum lugar, então que seja das fotos, não da corrupção", disse o advogado. "Ela é uma moça de classe média, modesta, acho que [a publicação das fotos na revista] criaria até um interesse maior do público, por ser algo mais secreto, mais indecifrável. Desde que não seja feito de forma escrachada. No caso dela, será um nu artístico mesmo, algo com sombras", disse o advogado.
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